O regresso da certeza
"Eu vi mas não agarrei", disse-me ele vezes sem conta. Olhou para a janela e observou os locais todos a passarem-lhe à frente dos olhos. "Tenho de fazer isto mais vezes...preciso deste espaço" , vincou. Terras e mais terras, pessoas e prados, rios e pontes, àrvores e casas...todas observadas com uma fascinante e humanista perspectiva através dos olhos e do coração. Magicando interiormente uma certeza - "é tão bom estar". Sentado e relaxado, sente a sua envolvente enquanto recalca imagens da sua vivência mostrando a si mesmo que o mundo tem muito valor e que se tem de aproveitar todos os pedacinhos de oxigénio que nos foram oferecidos por ele. Minimiza as coisas mais fáceis de observar e, ao invés, centra-se numa visão geral do homem e do universo...escolhendo as pequenas coisas e os grandes invisíveis para se entreter e iluminar durante a viagem. Por mais estranho que lhe pareça, a viagem de Braga a Lisboa dá-lhe muito mais prazer que a de Caxias e Santos. Talvez porque as pessoas do comboio Braga-Lisboa estão mais vivas, melhor consigo mesmo, transportando o amor e carinho dos seus familiares consigo enquanto voltam para mais uma semana de trabalho....e isso contagia-o. A verdade é que ele possui um brilho nos olhos que não provém só da reconfortante e motivante música que o acompanha. É o mundo que se expõe para lá da janela à qual está encostado, é o sorriso daquele gentil senhor de bigode que se faz acompanhar de um simpático jornal diário, é a certeza de que "alguém vive do seu calor" enquanto se afasta bem-disposto de um reencontro com os seus. É com alegria que nota que, neste momento, sente-se feliz.
1 Comments:
Muita qualidade vejo no teu discurso jovem arnaldo :P
é uma aventura conseguir passar esses pensamentos po papel.. keep up the good work, abraço
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