Arquivos descoordenados

o copy paste das minhas viagens pelo mundo do escrevinhanço espontâneo

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Localização: Afghanistan

quarta-feira, dezembro 08, 2004

O regresso da certeza

"Eu vi mas não agarrei", disse-me ele vezes sem conta. Olhou para a janela e observou os locais todos a passarem-lhe à frente dos olhos. "Tenho de fazer isto mais vezes...preciso deste espaço" , vincou. Terras e mais terras, pessoas e prados, rios e pontes, àrvores e casas...todas observadas com uma fascinante e humanista perspectiva através dos olhos e do coração. Magicando interiormente uma certeza - "é tão bom estar". Sentado e relaxado, sente a sua envolvente enquanto recalca imagens da sua vivência mostrando a si mesmo que o mundo tem muito valor e que se tem de aproveitar todos os pedacinhos de oxigénio que nos foram oferecidos por ele. Minimiza as coisas mais fáceis de observar e, ao invés, centra-se numa visão geral do homem e do universo...escolhendo as pequenas coisas e os grandes invisíveis para se entreter e iluminar durante a viagem. Por mais estranho que lhe pareça, a viagem de Braga a Lisboa dá-lhe muito mais prazer que a de Caxias e Santos. Talvez porque as pessoas do comboio Braga-Lisboa estão mais vivas, melhor consigo mesmo, transportando o amor e carinho dos seus familiares consigo enquanto voltam para mais uma semana de trabalho....e isso contagia-o. A verdade é que ele possui um brilho nos olhos que não provém só da reconfortante e motivante música que o acompanha. É o mundo que se expõe para lá da janela à qual está encostado, é o sorriso daquele gentil senhor de bigode que se faz acompanhar de um simpático jornal diário, é a certeza de que "alguém vive do seu calor" enquanto se afasta bem-disposto de um reencontro com os seus. É com alegria que nota que, neste momento, sente-se feliz.

quinta-feira, novembro 18, 2004

Prisioneiro do Inconsciente

Um constante nublado marca a minha visão sobre tudo o que me afecta, nada sei e nada faço. Viajo pela inércia de acções acompanhado somente pelo meu descoordenadamente explosivo pensamento. Tropeço e continuo a andar, para o vazio, sem conseguir descortinar nada do que se depara à minha frente. Estou num beco. Estou no zero. Estou fora. Não estou. Não sei.....está escondido, bem submerso em mim e no que me rodeia, aquilo quem me vai iluminar o caminho, pelo menos assim o espero. Perdi a minha bússola algures no caminho de seda que vinha percorrendo, e não mais recuperei o Norte. Permaneço expectante á espera de desenvolvimentos que me tragam uma linha coerente de comportamento e pensamento..

Choque térmico

pensamentos inconsequentes nas mentes cinzentas e dormentes. Inadaptação a um estilo de vida corrente imposto pelas regras da socidade de pseudo-felicidade. Stresses interiores sobem ao ritmo da pulsação e sentem-se á flôr da pele, extasiando a ansiedade presente no consciente. Conversas perdidas no fumo ao sabor das chávenas de café a chocalhar com as pequenas colheres de ferro. A cafeína penetra e liga o consciente ao inconsciente, numa confusa panóplia de emoções que chocam incessantemente com a clarividência. Um grito sai do profundo mar que nos envolve o "eu". AHHHHHHHHHHHHHHHHHH
AHHHHHAHHHHHH AH... AHHH AHHHH...
UÉÉÉÉÉUUNNN UÉÉÉÉÉÉNN UÉUUUUUUNNNN

breaks in

confusion lives between us all, beneath us all, inside us all...foney conversations, foney looks, foney reactions...tricky games, tricky thoughts, tricky lifes...stupid words, stupid actions, stupid defenses...social slavery, running clocks, dark cigarettes...crazy fears, crazy places, crazy values...
inadaptation flows into my mind while the dark clouds run from the sky and show me the sun...orange...huge...deep...strong...master of cerimonies!!!

percursos

pensa-----desenvolve-----olha para o lado-----volta atrás-----tenta repetir-----desiste-----desconversa-----cai-----rebola-----disfarça-----rasteja-----tenta-----levanta-----corre-----rápido!-----foge-----pânico-----esconde........................................................

The shadows and the pidgets...

i´ts a brand new day by the sparkling ocean that welcomes me to another ride. The sun touches my face in a warm and gentle way as i sit down, waiting for the train to some. I´m feeling kind of sleepy so i close my eyes and let the sun fill me, while i rest a little bit...Suddendly some girl on my left gets up and starts walking forward, the train has arrived. It´s kind of difficult for me to open my eyes as i enter it, but when i do i see all kinds of people. This is a 15min observation ride.... the cars, the sea, the soldiers, the tree,the sun, the wise old fellow on my right, the cute couple sitted in the spot reserved to the handicap and pregnant women, the ancient lady with her classic glasses looking outside the window, the old driver on a small grey car, the shadows and the pidgets...

KABOOOOUUMM

Olho para fora do meu mundo surpreso e não me encontro integrado neste ambiente pseudo-real que me perturba a mente e me rói o corpo.
Páro no tempo e penso, faço uma ligeira introspecção, mas logo desisto. Não consigo ir muito mais longe...as minhas defesas são fortes demais. Prendem-me os movimentos e cortam-me os pensamentos, não consigo avançar, fico para trás; olho á volta e vejo-me sozinho como que numa ilha, sem nada a rodear-me...só eu e os meus medos. stresso, forço um grito interior...mas não passa disso. Parei!

teias

Uma tarefa é complicada de se executar quando se desconheçe por completo a forma de a executar. É dificil tentar aprender quando se tem outras coisas em mente e não se está psicologicamente apto para se fazer esse esforço. Desiste-se consequentemente de operar nesse assunto e vira-se para uma página do seu caderno e lá liberta toda a sua raiva. Gritos de revolta e corridas desenfreadas feitas através da caneta, que escreve de forma nervosa e impulsiva...libertaaaaaaaaaaaaaa!!UF!? Quer-se sair deste fecho trágico e melancólico que é a fuga, mas tropeça-se no papel e cai-se no profundo da folha anteriormente branca da mente. Não se consegue sair, não há movimento, não há força, não há acompanhamento...

RUN ARNALDO! RUUUUNNNNNN!!!!

Suga-se o pânico com uma palhinha de oxigénio e liberta-se a angústia através do olhar...
ou os binóculos estão desregulados ou as perspectivas são mesmo nubladas....

..singular

estranhos impulsos, diferentes reacções, diferentes expressões, vestuário díspare, modo de estar oposto, olhar perdido e olhar fixo, fechados em pequenas redomas de vidro e abertos em campos ao ar livre, postura formal e postura informal, desvios de olhar e toques no cabelo, meter conversa e desconversar, ler um livro desta ou daquela maneira, segurar o saco de plástico "assim ou assado", um sorriso sincero ou solidário, uma conversa espontânea ou defensiva (com medo do silêncio), o bater do pé ou o bufar...
Cada pessoa tem as suas singularidades, totalmente fora de qualquer outra, totalmente díspare. Outra personalidade, outras reacções, outros impulsos, outras defesas, outras fugas, outros esconderijos, outras expressões e outras formas de estar.
A vida é singular em cada um de nós

foco

um rosa gasto invade o meu olhar enquanto fito essa cobertura de veludo que me invade o "eu". Sorris de levezinho e lentamente fechas os olhos, num gesto grandioso que me aqueçe o ser....desvias o olhar

segunda-feira, novembro 15, 2004

Vermelho tinto e branco de leite

Desconhecidos olham-me nos olhos enquanto me sento no chão da zona de fumadores, entre carruagens, do comboio e coloco os phones nos ouvidos para ouvir o meu som enquanto disfruto de um aperaltado cigarro...acendo-o e olho á volta-já só sobra uma pessoa-olho de novo e essa pessoa sai, entrando de seguida um individuo da minha idade vestindo uma t-shirt do Arsenal e um chapéu azul bem escuro (era de noite e estava no comboio...) e ostentando, de forma atribulada, um cigarro de haxixe em cone na sua mão direita. Imbuído do meu discman, contagiado pelo chill out que me contempla,e sem ouvir qualquer som terráqueo sem ser o divino que me oferecem os phones; viro-me para o individuo e, através de uma atabalhoada linguagem gestual, pergunto-lhe se lhe incomodava muito girar aquele fabuloso e adequado parpalho. Enquanto lhe faço essa preciosa e gestual questão retiro os phones dos ouvidos e volto a ouvir o som do planeta Terra. Ao observar o mundo gestual do individuo com atenção percebo que este vai acatar o meu pedido, é aí que oiço da boca do mesmo: "Queres fumar??YA,é na boa!Já te giro sóce!". Ao ouvir isto, arrumo o discman na minha mão direita e ponho-me convenientemente de pé. Observo um estado de espírito agitado na sombra que me interpela, um rapaz esguio e perturbado com olhar desorientado e perdido. De pronto tento criar um "ambiente aceitável" e pergunto-lhe: "A vida é muito mais do que isto não é?"
Ao que me responde: "Sabes bem que o tema vida é complexo...mas também sabes que sim..A vida é muito mais do que isto! É os trabalhadores a passar apressadamente à frente do café central e de forma descoordenada e educada a pedir uma bica forte ao empregado de balcão; é uma solitária viagem de comboio do sul ao norte do país somente acompanhada de uma mala bem redonda e de um aparelho que transmita som de forma agradável; é o acordar de um sono profundo na tua aconchegada cama com a tua tal imortalmente abraçada a ti; é aquele momento em que, depois de um dia mau e tenebroso, aparece aquele pôr-do-sol á tua frente...fazendo um contraste imenso com o brilho do mar e fundindo-se no teu ser de forma perfeita...imbuíndo-te de adrenalina e nostalgia, lembrando-te que tens grande fortuna por viveres...por poderes presenciar tamanha beleza. "
Sinto-me totalmente desorientado, disfruto do pica com ele e, antes de nos ausentarmos para os nossos lugares devido á aproximação de revisores, faço-lhe uma pergunta final: "Como te chamas?", "Pedro" diz ele. E numa resposta em jeito de despedida atiro " Eu sou o Arnaldo".


Lisboa-Braga

Assimilação natural

Observo cada gesto e cada expressão dos utentes desta via pública que é a vida em sociedade..Retiro o bom e o puro que existe em cada um e faço-os meus, enquanto observo o ambiente em que se inserem...um café no centro de Lisboa, uma estrada meio iluminada banhada por incessantes pingos de chuva e reflexos de luzes perdidas na cidade, automóveis industrialmente fechados a passar pelo asfalto de forma harmoniosamente desconcertante.Observo e sugo cada partícula deste todo automaticamente e de forma voraz e desesperada, com uma forte necessidade de receber alguma coisa...de me preencher, de preencher algo em mim que se encontra inocupado. Inspiro esta atmosefera quotidiana determinado a, narcisicamente, buscar um prazer escondido que me capte e ocupe este espaço vazio e, através de todas estas imagens e estados de espírito, consigo-o na plenitude.Flutuo com o meu olhar sobre a cidade urbana e sobre este misto de costumes intrínsecos da vida em sociedade e sinto-me leve, sinto-me alterado, diferente, imbuído de um estado de espírito extremamente positivo e resplandescente que me ilumina e que oferece aos meus sentidos a mística de tudo o que me rodeia, que eleva o meu ser a um extremo humilde de êxtase e de um poderoso mas suave orgulho de viver.
Sinto o bater do meu coração ao ritmo de Lisboa....
Tento prolongar este estado de espírito através da escrita, que me envolve neste mundo de forma concreta mas também abstracta, tentando adiar o momento em que por uma razão ou outra, por um telefonema ou uma refeição, me perco e voo para outras paregens..

sexta-feira, novembro 12, 2004

inside <------> outside

Situações como esta são normais no quotidiano de qualquer jovem lisboeta que vive uma crise existencial profunda....a dúvida. Algo que suscita a questão,a incerteza e a descoordenação. Confusão. Páro e olho á volta...não me revejo em nada,não me identifico com nada,fecho-me....tenho receio do que me possa interpelar!Eles olham-me de lado como abutres á procura do medo e eu escondo-me minimizando ou desconversando..."Desconversar", essa arte tão utilizada na nossa vida,na nossa sociedade, na nossa mente...através dos nossos medos e das nossas defesas.Quantas vezes eu me vejo incapaz de não a utilizar? Não mais do que as vezes que inconscientemente me encurralo no beco do "meter conversa"...mas isso era complicado de superar...
É o combate interior-exterior...
A força do "eu" contra a força da "sociedade e seus intervenientes".

Pode dar jeito..

Bem, vou arquivar os meus atrofios aqui....pode dar jeito um dia...

(para quem é que eu tou a falar??....)